A CRIMINALIZAÇÃO DA LÓGICA ECONÔMICA INDÍGENA NO USO DE CARTÕES DE BENEFÍCIOS SOCIAIS

  • Daniel Luis Dalberto UCB
  • Daniel Luis Dalberto Universidade Católica de Brasília https://orcid.org/0000-0002-2813-0996
  • Julio César de Aguiar Universidade Católica de Brasília
Palavras-chave: Populações Indígenas, Amazônia, Guajará-Mirim, Benefícios Sociais, Sistemas Econômicos Tradicionais, Crimes

Resumo

Em Guajará-Mirim, região amazônica que possui grande diversidade étnica, na última década houve significativo incremento de concessão de benefícios sociais aos índios, implementados sem observância às especificidades de populações socioculturalmente diferenciadas, o que, somado às especificidades da região, moldou um sistema próprio de comércio, consistente na retenção de cartões bancários e outorga de procurações pelos índios aos comerciantes com quem negociam. Tais relações foram e tem sido tratadas pelo Estado como crime de estelionato contra os indígenas. Este artigo, a partir do estudo de caso concreto, analisa a natureza dessas relações, considerando as perspectivas de cada ator, levando em conta os aspectos históricos, geográficos, econômicos e antropológicos, concluindo pelo equívoco da criminalização da relação objeto do estudo, que replica antigos preconceitos e estereótipos, sendo insuficiente o enfoque do Direito Penal para compreensão e enfrentamento do problema.

Biografia do Autor

Daniel Luis Dalberto, Universidade Católica de Brasília
Mestrando em Direito pela Universidade Católica de Brasília. Especialista em Direito Público pela Universidade Anhanguera-Uniderp. Procurador da República.
Julio César de Aguiar, Universidade Católica de Brasília
PhD in Law pela University of Aberdeen, Reino Unido. Doutor em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina. Mestre em Filosofia pela Universidade Federal de Goiás. Professor da Graduação e do Mestrado em Direito pela Universidade Católica de Brasília. Pesquisador-Colaborador Pleno do Instituto de Psicologia da Universidade de Brasília. Procurador da Fazenda Nacional.
Publicado
2020-06-22